A Tether congelou um conjunto de endereços identificados como pertencentes ao Banco Central do Irã, envolvendo cerca de US$ 475 milhões em USDT. No mesmo período, a organização de defesa United Against Nuclear Iran (UANI) apurou que, em maio de 2026, as exportações de petróleo bruto do Irã totalizaram 2,01 milhões de barris, com média diária de 64.921 barris — uma queda de 93% em relação a abril, com valor exportado estimado em US$ 219 milhões, uma redução de 94% na comparação mensal. A UANI esclarece que sua metodologia não se baseia no momento do carregamento, mas no momento em que os navios cruzam a linha de bloqueio anunciada pelos EUA, ao saírem do Golfo de Omã. Segundo a reportagem da Tokenpost, o bloqueio físico dos EUA às exportações de petróleo iraniano se estende simultaneamente à execução de sanções no campo dos ativos digitais — a mesma lógica de sanções aplicada em duas frentes.
Interpretação editorial: qual é a relação real com o cartão U que você usa
Primeiro a conclusão, depois a explicação: o congelamento ocorre na camada do contrato do USDT, não na camada do cartão.
A lista negra da Tether é a função addBlackList embutida no contrato inteligente do USDT, e seu alvo são endereços na blockchain. Uma vez que um endereço é bloqueado, independentemente de em qual corretora, carteira ou conta de recarga de cartão ele esteja custodiado, o saldo perde a capacidade de ser transferido para fora. Por isso, “trocar de cartão resolve o problema” é um modelo mental equivocado — já explicamos isso em O que é um cartão U: um cartão U é, em essência, uma combinação de “saldo on-chain + canal de liquidação em moeda fiduciária”, e o controle final sobre a metade on-chain nunca esteve nas mãos do emissor do cartão.
Então o que realmente afeta o usuário comum? O histórico do endereço de origem do depósito.
- Usuários que dependem de saques de corretoras para recarga (por exemplo, sacar USDT da Bybit para o endereço do cartão) têm o menor risco. Cartões próprios de corretoras como o Bybit Card operam com um fluxo de fundos do tipo “conta interna da corretora → conta do cartão”, com quase nenhuma contraparte desconhecida no meio.
- Usuários que dependem de recebimento de U via OTC/P2P têm o maior risco. O U que você recebeu pode ter passado, dois ou três saltos antes, por uma entidade sancionada, um misturador de moedas ou um pool de fundos ligado a fraudes. Em períodos de reforço na execução de sanções, as empresas de análise on-chain atualizam suas listas de marcação de forma mais agressiva, e os limiares de “recusa + congelamento para investigação” dos controles de risco dos emissores tendem a cair junto.
- Usuários que fazem recarga em circuito fechado dentro da carteira do MPChat ficam no meio-termo: como mencionado na avaliação do MPCard, a variante Asia Elite recebe recargas via carteira MPChat, e a controlabilidade do fluxo depende da origem do U que já está na sua carteira, não do cartão em si.
Uma expectativa razoável em relação ao prazo:
- Nos próximos 7 dias — a grande maioria dos usuários comuns não perceberá nada e não precisa tomar nenhuma medida.
- Nos próximos 30 dias — alguns emissores podem intensificar a triagem de endereços para depósitos de grande valor, o que se traduzirá em um tempo maior de “em análise” para depósitos grandes, especialmente na primeira recarga e em depósitos vindos de carteiras não custodiais.
- Nos próximos 90 dias — se a OFAC continuar incluindo mais endereços ligados ao Irã na lista SDN, novos congelamentos por parte da Tether devem continuar, e a taxa de recusa de abertura de conta por parte